Maria Guilhermina Castro
Universidade Católica Portuguesa, CITAR, Faculty Member
- Character, Narrative, Audiovisual Art, Screenwriting, Creativity, Creative Writing, and 57 moreCritical Thinking and Creativity, Characterization, Storytelling, Digital Storytelling, Digital Story Telling, Transmedial Storytelling, Transmedia Storytelling, Interactive Digital Storytelling, Interactive Storytelling, Storytelling (Research Methodology), Visual Storytelling, Storytelling and Narrative, Art and structures of storytelling, Narrative Theory, Creatividad, Personagem, Construção Da Personagem, Narrativa Audiovisual, Narrativa Digital, Narrativas No Lineales, Récit, Infidelity, Surviving Infidelity, Facebook Infidelity, Infidelity Counselling, Motivation for Infidelity, Internet Infidelity, Betrayal, Love and Betrayal, Facebook and Infidelity, Love Marriage and Infidelity, Sexual Infidelity, Counseling in the Context of Infidelity, Technology Infidelity, Análisis De Personajes, Personajes Femeninos, PROJETOS SOBRE INFIDELIDADE CONJUGUAL, Relacionamentos Amorosos, Relacionamentos Interpessoais, Amor, Narrative Psychology, Construção De Personagens, Narratology, Narrativas, Visual Narrative, Narrativity, Interactive Narrative, Narrative and Design, Narrative and interpretation, Narratives, Creative thinking, Creativity studies, Criatividade, Processos Criativos, Escrita Criativa, Processo Criativo, and Pensamento Criativoedit
- Maria Guilhermina Castro is an Associate Professor at the School of Arts of the Catholic University of Portugal. She ... moreMaria Guilhermina Castro is an Associate Professor at the School of Arts of the Catholic University of Portugal. She investigates narrative and character creation at Research Centre for Science and Technology of Arts. She previously researched on other themes in the field of psychology of arts, romantic relationships and career guidance, presenting these studies in over 60 scientific occasions including scientific journals, books, and conferences. Guilhermina co-organizes the Narrative, Media and Cognition Conference, which she co-founded. She was Vice-president of AIM - Association of Moving Image Researchers - and she is co-responsible for the working group “Audiovisual Narratives” of this association. Guilhermina collaborated as assistant editor of CITAR Journal and is reviewer of several journals. She received both her graduation and her doctorate in Psychology from the University of Porto (Portugal) and did advanced training in Morenian Psychodrama. It is worth mentioning her acting training through open courses at Superior School of Music and Performing Arts – Porto (ESMAE) and the advanced training in Psychotherapy and Career Guidance. Guilhermina was a psychologist in private practice and schools during eight years.edit
Este livro é a versão editorial da Dissertação defendida por Maria Guilhermina Castro, para a obtenção do Grau de Doutor em Psicologia pela Universidade do Porto, Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação. O prefácio, escrito por... more
Este livro é a versão editorial da Dissertação defendida por Maria Guilhermina Castro, para a obtenção do Grau de Doutor em Psicologia pela Universidade do Porto, Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação. O prefácio, escrito por Gabriela Moita, apresenta-se em seguida:
""De tudo ao meu amor serei atento
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento"
Vinicius de Moraes, Soneto da Fidelidade
Com “Fidelidade e infidelidade nas relações amorosas” estamos perante um estudo original e de inquestionável importância: pelo tema poucas vezes abordado e pelo contributo dado à compreensão dos constructos fidelidade e infidelidade. Nele encontramos uma reflexão sobre o papel da psicologia na intervenção clínica e na intervenção social, tratando-se de um estudo que “mais do que encontrar certezas para poder prever (…) procurou abrir margens de incerteza para poder mudar”.
As epígrafes ao longo do livro vão cuidadosamente pontuando as interrogações e as certezas. Sublinharia aqui logo a primeira escolha onde, através da voz de Peter Brook, Maria Guilhermina Castro nos deixa claro que este trabalho, tratando-se de uma construção, comporta igualmente uma demolição – a de uma visão normativa. E é uma constante interrogação ao normativo que a autora vai fazendo através da escolha destas frases que ao servirem de tema ao assunto, também o revelam.
Poucas vezes os conceitos de fidelidade e infidelidade têm sido estudados e questionados na investigação científica e o âmbito dos trabalhos científicos existentes é revelador de uma posição “sobretudo centrada na infidelidade, com intensa conotação moral e pouca diferenciação conceptual”, uma abordagem que traduz, em grande parte dos casos, valores negativos por parte destes investigadores. Decorrente desta constatação, uma preocupação na pesquisa aqui apresentada foi entender a dialéctica entre fidelidade e infidelidade, construindo a autora, e tomo as palavras emprestadas a Natália Correia, "um engenho que falta[va] mais fecundo/ de harmonizar as partes dissonantes".
Uma das grandes dificuldades para os(as) investigadores(as) sobre este tema é a falta de acordo em relação à própria definição dos conceitos de fidelidade/infidelidade. Não havendo um só entendimento, o que está a ser investigado corre o risco de não ser aquilo sobre que se obtém resposta. Assim, para garantir precisão no presente e, de ora em diante, na investigação em Portugal, a proposta deste estudo foi a de mapear, através de material quantitativo e qualitativo, tipos discursivos relativamente a conteúdos associados a fidelidade e infidelidade.
Oferece-nos esta obra uma revisão actualizada da literatura científica sobre o tema e temas adjacentes, apresentada de uma forma original, criteriosamente categorizada por núcleos de análise e acompanhada de uma reflexão pessoal.
O estudo, objecto desta publicação, dá-nos uma organização de significados atribuídos à experiência ou à ideia de “não exclusividade” ou de “infidelidade”, ou (experimentando dizer de outra maneira) à importância dada à exclusividade ou “fidelidade”. Estes significados foram encontrados em discursos recolhidos através de questionários e entrevistas e emitidos na primeira pessoa. Um exemplo do resultado da análise efectuada foi a detecção de algumas “brechas no sistema de significados romântico-hedonista”, de que é elucidativa a identificação de uma clivagem entre felicidade e prazer: é que, se a fidelidade está associada à felicidade, o prazer, por seu turno, surge ligado à infidelidade.
Nas falas dos participantes deste estudo são ainda assinalados “(...) diferentes discursos, que coexistem dentro da mesma pessoa, como múltiplos ‘seres’ dentro de nós”. É assim que se explica que “infiéis são os outros”, pois “traição” é algo de que se é alvo pela acção de um outro (que nos fazem), e não algo que se faz. Se pensarmos nas relações extradiádicas como o foco da infidelidade, a questão não se coloca quando não há qualquer necessidade de acção, como tão declaradamente é afirmado, “ser fiel não é algo que activa e afirmativamente se faça, mas algo que passivamente não se faz”.
Estamos perante uma obra de referência teórica também para a intervenção no contexto clínico. Desenvolvendo-se esta investigação dentro da área do saber psicológico, é transversal a este estudo a preocupação com a dor que as pessoas relatam com o tema em questão. De salientar que, nas relações amorosas, a associação comum de não exclusividade à falta de amor é um factor adicional, senão primordial, de dor e autodesvalorização. É frequente a crença de que: “se me ama, não ama mais ninguém” ou “se ama outra pessoa, logo não me ama”. No mesmo sentido se ouve muitas vezes “se amo outra pessoa que não aquela com quem estou, logo não amo a primeira”. A não separação destes dois conceitos – o conceito de amor e o de exclusividade do amor – não será porventura um factor responsável por um acréscimo do sofrimento na dor?
Falando das emoções que estão subjacentes a estas vivências, é de há muito o entendimento da não exclusividade como uma “traição” que provoca sentimentos de raiva e vingança até à morte, como se de um sentimento “natural” se tratasse e vemo lo igualmente atribuído a ambos os sexos. Podemos observar esta leitura quer na mitologia grega, concretizado na tragédia “Medeia” de Eurípedes, quer, durante o Renascimento, em “Othello” de Shakespeare.
Convém aqui contrastar estas posições que levam ao ódio, à vingança e à morte, quando se é confrontado com uma outra escolha de objecto de amor (ou apenas a suspeita dessa possibilidade) com aquela que, mais tarde, já no século XIX, nos oferece Ibsen, na sua peça “A Dama do Mar”, de aceitar as escolhas e as necessidades de cada pessoa.
Maria Guilhermina Castro, ao reflectir sobre a própria ciência psicológica, revela a posição assumida a partir das propostas de intervenção oferecidas: é que “para uma outra parte significativa de investigadores e leigos, a infidelidade é ‘má’: falam das suas consequências negativas para o indivíduo, casal e família, pelo que há que eliminá-la.” Coerente com esta perspectiva, são desenvolvidos “modelos de tratamento da infidelidade e do ciúme”. A autora torna visível o papel da ciência, neste caso a psicológica, como uma instância de regulação social, e adianta uma interpretação para aquilo que, neste caso, está a ser controlado: “a família como unidade social”.
Ao falarmos de visões do ser humano falamos de cânones, que simultaneamente o explicam e o constroem. Se a Antiguidade Clássica e o Renascimento nos apresentam uma “natureza humana” com uma intrínseca incapacidade de lidar com a não exclusividade, considerada “traição”, a ponto de os sentimentos de raiva levarem à vingança concretizada pela morte, já o final do século XIX, realista-naturalista, na exaltação de valores como a liberdade e o livre arbítrio, propõe uma “natureza humana” que valorize antes a escolha em liberdade, com responsabilidade.
É numa perspectiva mais próxima deste posicionamento de liberdade e responsabilidade que é proposto nesta obra um modelo de intervenção biográfico para a intervenção clínica na dor sentida por estes temas, em oposição ao modelo moralista vigente.
Por último, sublinhava a relevância deste estudo nas suas potenciais implicações ao nível da intervenção social. A reflexão e o questionamento feitos ao longo destas páginas permitem enquadrar e repensar as configurações vigentes de uma relação amorosa e, consequentemente, as políticas que as enformam. Sabemos que “a forma como se configura uma relação amorosa é fortemente influenciada pelas políticas de sexualidade próprias de uma sociedade”.
Pense-se, por exemplo, no que há a fazer ao nível da educação sexual, naquilo a que se poderia chamar educação para as emoções, e nas pistas para uma educação emocional que permita viver melhor e mais de acordo com a proposta de Drummond de Andrade, no seu poema Definitivo, de minimizar o sofrimento na inevitabilidade da dor:
Nossa dor não advém das coisas vividas,
mas das coisas que foram sonhadas e não se cumpriram.
(…)
A dor é inevitável.
O sofrimento é opcional…”
Terminava, retomando o poema que usei como epígrafe para recordar que Vinicius de Moraes o finaliza com a consciência da finitude das emoções, valorizando no entanto a qualidade da intensidade e a sua existência de forma a que se “possa dizer do amor (que tive): / Que não seja imortal, posto que é chama / Mas que seja infinito enquanto dure.”
Prefácio por Gabriela Moita
""De tudo ao meu amor serei atento
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento"
Vinicius de Moraes, Soneto da Fidelidade
Com “Fidelidade e infidelidade nas relações amorosas” estamos perante um estudo original e de inquestionável importância: pelo tema poucas vezes abordado e pelo contributo dado à compreensão dos constructos fidelidade e infidelidade. Nele encontramos uma reflexão sobre o papel da psicologia na intervenção clínica e na intervenção social, tratando-se de um estudo que “mais do que encontrar certezas para poder prever (…) procurou abrir margens de incerteza para poder mudar”.
As epígrafes ao longo do livro vão cuidadosamente pontuando as interrogações e as certezas. Sublinharia aqui logo a primeira escolha onde, através da voz de Peter Brook, Maria Guilhermina Castro nos deixa claro que este trabalho, tratando-se de uma construção, comporta igualmente uma demolição – a de uma visão normativa. E é uma constante interrogação ao normativo que a autora vai fazendo através da escolha destas frases que ao servirem de tema ao assunto, também o revelam.
Poucas vezes os conceitos de fidelidade e infidelidade têm sido estudados e questionados na investigação científica e o âmbito dos trabalhos científicos existentes é revelador de uma posição “sobretudo centrada na infidelidade, com intensa conotação moral e pouca diferenciação conceptual”, uma abordagem que traduz, em grande parte dos casos, valores negativos por parte destes investigadores. Decorrente desta constatação, uma preocupação na pesquisa aqui apresentada foi entender a dialéctica entre fidelidade e infidelidade, construindo a autora, e tomo as palavras emprestadas a Natália Correia, "um engenho que falta[va] mais fecundo/ de harmonizar as partes dissonantes".
Uma das grandes dificuldades para os(as) investigadores(as) sobre este tema é a falta de acordo em relação à própria definição dos conceitos de fidelidade/infidelidade. Não havendo um só entendimento, o que está a ser investigado corre o risco de não ser aquilo sobre que se obtém resposta. Assim, para garantir precisão no presente e, de ora em diante, na investigação em Portugal, a proposta deste estudo foi a de mapear, através de material quantitativo e qualitativo, tipos discursivos relativamente a conteúdos associados a fidelidade e infidelidade.
Oferece-nos esta obra uma revisão actualizada da literatura científica sobre o tema e temas adjacentes, apresentada de uma forma original, criteriosamente categorizada por núcleos de análise e acompanhada de uma reflexão pessoal.
O estudo, objecto desta publicação, dá-nos uma organização de significados atribuídos à experiência ou à ideia de “não exclusividade” ou de “infidelidade”, ou (experimentando dizer de outra maneira) à importância dada à exclusividade ou “fidelidade”. Estes significados foram encontrados em discursos recolhidos através de questionários e entrevistas e emitidos na primeira pessoa. Um exemplo do resultado da análise efectuada foi a detecção de algumas “brechas no sistema de significados romântico-hedonista”, de que é elucidativa a identificação de uma clivagem entre felicidade e prazer: é que, se a fidelidade está associada à felicidade, o prazer, por seu turno, surge ligado à infidelidade.
Nas falas dos participantes deste estudo são ainda assinalados “(...) diferentes discursos, que coexistem dentro da mesma pessoa, como múltiplos ‘seres’ dentro de nós”. É assim que se explica que “infiéis são os outros”, pois “traição” é algo de que se é alvo pela acção de um outro (que nos fazem), e não algo que se faz. Se pensarmos nas relações extradiádicas como o foco da infidelidade, a questão não se coloca quando não há qualquer necessidade de acção, como tão declaradamente é afirmado, “ser fiel não é algo que activa e afirmativamente se faça, mas algo que passivamente não se faz”.
Estamos perante uma obra de referência teórica também para a intervenção no contexto clínico. Desenvolvendo-se esta investigação dentro da área do saber psicológico, é transversal a este estudo a preocupação com a dor que as pessoas relatam com o tema em questão. De salientar que, nas relações amorosas, a associação comum de não exclusividade à falta de amor é um factor adicional, senão primordial, de dor e autodesvalorização. É frequente a crença de que: “se me ama, não ama mais ninguém” ou “se ama outra pessoa, logo não me ama”. No mesmo sentido se ouve muitas vezes “se amo outra pessoa que não aquela com quem estou, logo não amo a primeira”. A não separação destes dois conceitos – o conceito de amor e o de exclusividade do amor – não será porventura um factor responsável por um acréscimo do sofrimento na dor?
Falando das emoções que estão subjacentes a estas vivências, é de há muito o entendimento da não exclusividade como uma “traição” que provoca sentimentos de raiva e vingança até à morte, como se de um sentimento “natural” se tratasse e vemo lo igualmente atribuído a ambos os sexos. Podemos observar esta leitura quer na mitologia grega, concretizado na tragédia “Medeia” de Eurípedes, quer, durante o Renascimento, em “Othello” de Shakespeare.
Convém aqui contrastar estas posições que levam ao ódio, à vingança e à morte, quando se é confrontado com uma outra escolha de objecto de amor (ou apenas a suspeita dessa possibilidade) com aquela que, mais tarde, já no século XIX, nos oferece Ibsen, na sua peça “A Dama do Mar”, de aceitar as escolhas e as necessidades de cada pessoa.
Maria Guilhermina Castro, ao reflectir sobre a própria ciência psicológica, revela a posição assumida a partir das propostas de intervenção oferecidas: é que “para uma outra parte significativa de investigadores e leigos, a infidelidade é ‘má’: falam das suas consequências negativas para o indivíduo, casal e família, pelo que há que eliminá-la.” Coerente com esta perspectiva, são desenvolvidos “modelos de tratamento da infidelidade e do ciúme”. A autora torna visível o papel da ciência, neste caso a psicológica, como uma instância de regulação social, e adianta uma interpretação para aquilo que, neste caso, está a ser controlado: “a família como unidade social”.
Ao falarmos de visões do ser humano falamos de cânones, que simultaneamente o explicam e o constroem. Se a Antiguidade Clássica e o Renascimento nos apresentam uma “natureza humana” com uma intrínseca incapacidade de lidar com a não exclusividade, considerada “traição”, a ponto de os sentimentos de raiva levarem à vingança concretizada pela morte, já o final do século XIX, realista-naturalista, na exaltação de valores como a liberdade e o livre arbítrio, propõe uma “natureza humana” que valorize antes a escolha em liberdade, com responsabilidade.
É numa perspectiva mais próxima deste posicionamento de liberdade e responsabilidade que é proposto nesta obra um modelo de intervenção biográfico para a intervenção clínica na dor sentida por estes temas, em oposição ao modelo moralista vigente.
Por último, sublinhava a relevância deste estudo nas suas potenciais implicações ao nível da intervenção social. A reflexão e o questionamento feitos ao longo destas páginas permitem enquadrar e repensar as configurações vigentes de uma relação amorosa e, consequentemente, as políticas que as enformam. Sabemos que “a forma como se configura uma relação amorosa é fortemente influenciada pelas políticas de sexualidade próprias de uma sociedade”.
Pense-se, por exemplo, no que há a fazer ao nível da educação sexual, naquilo a que se poderia chamar educação para as emoções, e nas pistas para uma educação emocional que permita viver melhor e mais de acordo com a proposta de Drummond de Andrade, no seu poema Definitivo, de minimizar o sofrimento na inevitabilidade da dor:
Nossa dor não advém das coisas vividas,
mas das coisas que foram sonhadas e não se cumpriram.
(…)
A dor é inevitável.
O sofrimento é opcional…”
Terminava, retomando o poema que usei como epígrafe para recordar que Vinicius de Moraes o finaliza com a consciência da finitude das emoções, valorizando no entanto a qualidade da intensidade e a sua existência de forma a que se “possa dizer do amor (que tive): / Que não seja imortal, posto que é chama / Mas que seja infinito enquanto dure.”
Prefácio por Gabriela Moita
Research Interests:
The object of this investigation is the meanings given to fidelity and infidelity in romantic relationships, concerning contents, relationships between contents and meaning constellations. Scientific literature is usually focused on... more
The object of this investigation is the meanings given to fidelity and infidelity in romantic relationships, concerning contents, relationships between contents and meaning constellations. Scientific literature is usually focused on infidelity, with an intense moral connotation and with little conceptual differentiation. It was detected an absence of agreement between authors, concerning the construct “infidelity”, which has implications such as the inconsistency of published results. The empirical study had the goal of understanding people’s own conceptions about the matter. An open exploratory approach was then adopted, combining qualitative and quantitative methodologies: (a) written questionnaires were administered, mostly with open questions, to 226 adults; data was submitted to a statistic non parametric analysis, a content analysis and automatic analysis of textual information; (b) a deep approach to the meanings associated to fidelity and infidelity was carried through the content analysis of 29 individual oral semi-structured interviews. These analyses allowed observing a great diversity of contents: thus, it was proposed a multidimensional approach to fidelity and infidelity. Contents and relationships between them were associated in discursive patterns (“To be betrayed”, “To be unfaithful”, “Rational moralist”, “Pro-relational”, “I am always faithful” and “I am faithful to values”). These discourses were interpreted as meaning constellations, which coexist and switch in the same person (meta-meanings). A metaphorical relationship presented the extradiadic involvement as a significant of several signified meanings. It was proposed that this sign association emerges in the interaction of psychological needs (union, self value, security, discovery, sexual pleasure, among others) and social contexts that convey scripts about what a relationship ought to be (such as patriarchal, romantic, hedonic). It was observed that infidelity did not oppose symmetrically to fidelity, which means that we can’t deduce the first one through the second. Rather, they are better understood in a dialectical perspective, as inseparables and complementary, such as figure and landscape.
Research Interests: Infidelity, Intervention Fidelity, Betrayal, Counseling in the Context of Infidelity, Surviving Infidelity, and 12 moreAmor, Love and Betrayal, PROJETOS SOBRE INFIDELIDADE CONJUGUAL, Infidelity Counselling, Revealing Betrayals, Relacionamentos Interpessoais, Relacionamentos Amorosos, Motivation for Infidelity, Sexual Infidelity, Love Marriage and Infidelity, Investigación Infidelidad, and Ensayo Sobre La Infidelidad
How does it born and develop the idea of a character? Which strategies are used by professionals from different areas to create characters? How to help artists and students to find the idea? These questions give rise to an... more
How does it born and develop the idea of a character? Which strategies are used by professionals from different areas to create characters? How to help artists and students to find the idea? These questions give rise to an interdisciplinary research with goals of scientific knowledge, artistic development and learning promotion. This paper aims to frame theoretically the study, to present the research design and to emphasize preliminary results of its first phase (the exploratory empirical study). The interdisciplinary nature of this investigation is contextualized in the research project “Narrative and visual creation”, a joint work of the groups “Theory of Arts” and “Visual and Interactive Art” of the Research Center for Science and Technology of the Arts (Portuguese Catholic University).
Research Interests: Narrative and Characters
Based on Vittorio F. Guidano’s analysis of personal meaning organizations, we propose that each type of psychological structure is underpinned by certain inner dialectic conflict. This psychological approach seems useful as a theoretical... more
Based on Vittorio F. Guidano’s analysis of personal meaning organizations, we propose that each type of psychological structure is underpinned by certain inner dialectic conflict. This psychological approach seems useful as a theoretical guideline to analyze and create characters and narratives. The psychological structure (an obsessive-compulsive one) can be expressed through the main character (and his backstory) as in the movie Kinsey (Condon). It can also be depicted in the narrative, which becomes an arena of projected inner dialectic conflicts on the realm of that same psychological structure (as in David Fincher’s The Game). “But it is the same with man as with the tree. The more he seeketh to rise into the height and light, the more vigorously do his roots struggle earthward, downward, into the dark and deep – into the evil.” (Nietzsche 48). The villain emerges when we glorify ourselves.
Research Interests:
Diversos autores têm entendido a escrita de argumento como alicerçada na intriga e na personagem. Tanto a generalidade dos designados how-to-books como as publicações de caráter narratológico, exploram a relação entre aquelas duas... more
Diversos autores têm entendido a escrita de argumento como alicerçada na intriga e na personagem. Tanto a generalidade dos designados how-to-books como as publicações de caráter narratológico, exploram a relação entre aquelas duas componentes da narrativa num sentido preferencial – aquele que subordina a personagem à estrutura da intriga. Ao invés, autores como Horton (1994) propõem uma abordagem centrada na personagem, cuja complexidade permite trilhar o percurso criativo oposto. Que ferramentas permitem operar esse processo? Por outras palavras, como podemos criar uma intriga a partir de uma personagem? Este trabalho procura responder à questão, propondo tanto uma matriz teórica quanto estratégias práticas construídas no âmbito de um estudo teórico-empírico em curso (Castro, 2016), que se debruça sobre as formas construção de personagem usadas por artistas de diversas áreas. Assim, equaciona-se o papel de conceitos psicanalíticos (como splitting, negação e projeção) na exteriorização da multivocalidade interna do protagonista em elementos narrativos, como o conflito e a transformação. Em paralelo, são apresentadas estratégias práticas para externalizar o mundo interior da personagem, num processo de formação sígnica. A transformação da personagem revela-se como uma dissociação das relações sígnicas inerentes ao conflito narrativo: no final, uma morte simbólica do protagonista permite (re)encontrar o significado fundamental, até então obscurecido pelo foco no significante.
Research Interests:
When studying mind structures, Gardner (1983) stated that different people tended to process information through different ways, which he labelled as multiple intelligences. Distinct mental paths are used to adapt to the world but also to... more
When studying mind structures, Gardner (1983) stated that different people tended to process information through different ways, which he labelled as multiple intelligences. Distinct mental paths are used to adapt to the world but also to innovate it: it is probable that preferential creative profiles would be similarly diverse. Following this principle, Gardner was concerned with the development of intelligence and creativity in the arts, as co-director of Project Zero, started by Nelson Goodman at Harvard Graduate School of Education. This paper aims to understand at which extent the processes defined by Gardner’s Multiple Intelligence Theory (1983, 1999) are involved in character creation and how this theoretical basis can be used to fabricate screenwriting exercises. Since character construction is common to several artistic fields, an interdisciplinary approach is adopted, assuming that it will lead to a broader understanding of intelligence and creative profiles and to the development of more diverse exercises.
As an initial phase of a larger research, an empirical exploratory study was conducted with 20 portuguese and spanish artists who created characters (screenwriters, directors, actors, animators...). Participants were interviewed orally, through a semi-structured grid which followed the topics: general and specific processes of character creation, character evolution, changes in creation processes, creation of main and secondary characters, perception of other artists’ creative processes, influence of schools, authors and artistic context. Content analysis was performed, leading to the identification of processes which were interpreted as mental paths similar to most of the ones identified in Gardner’s Multiple Intelligence Theory: intrapersonal, interpersonal, visual-spatial, bodily-kinesthetic, musical-rhythmic, verbal-linguistic, naturalistic and moral. Examples are presented of the screenwriting exercises that can emerge from those ways of processing information. In the following phase of the research, those exercises will be used in an educational context, and their relationship with intelligence profiles will be tested.
As an initial phase of a larger research, an empirical exploratory study was conducted with 20 portuguese and spanish artists who created characters (screenwriters, directors, actors, animators...). Participants were interviewed orally, through a semi-structured grid which followed the topics: general and specific processes of character creation, character evolution, changes in creation processes, creation of main and secondary characters, perception of other artists’ creative processes, influence of schools, authors and artistic context. Content analysis was performed, leading to the identification of processes which were interpreted as mental paths similar to most of the ones identified in Gardner’s Multiple Intelligence Theory: intrapersonal, interpersonal, visual-spatial, bodily-kinesthetic, musical-rhythmic, verbal-linguistic, naturalistic and moral. Examples are presented of the screenwriting exercises that can emerge from those ways of processing information. In the following phase of the research, those exercises will be used in an educational context, and their relationship with intelligence profiles will be tested.
Research Interests:
As publicações em escrita de argumento para cinema têm-se pautado por um forte foco na estrutura da intriga, relegando para segundo plano aspetos como a personagem ou o mundo em que se desenrola a narrativa. Alguns autores, porém,... more
As publicações em escrita de argumento para cinema têm-se pautado por um forte foco na estrutura da intriga, relegando para segundo plano aspetos como a personagem ou o mundo em que se desenrola a narrativa. Alguns autores, porém, consideram que estas últimas dimensões são as que adquirem um papel de primazia noutros meios audiovisuais, como os videojogos (Condry, 2013) ou as narrativas transmediáticas (Gonzatto da Silva, 2012), pelo que o seu estudo é essencial. Têm-se ainda feito sentir críticas à rigidez criativa daquelas abordagens dominantes (e.g., Horton, 1999), salientando-se que a proficuidade de diferentes artistas pode fundar-se em pontos de partida variados. Dada a importância da personagem em diversas áreas, este estudo considera fundamental compreender, interdisciplinarmente, os processos cognitivos usados na busca da sua ideia, com intuito último de elaborar exercícios que constituam ferramentas criativas para artistas e aprendizes.
Para tal, nesta primeira fase desenvolveu-se um estudo empírico exploratório, no qual se realizaram 20 entrevistas orais a artistas (argumentistas, realizadores, animadores, atores, escritores…), focadas no modo como criam personagens. Uma abordagem indutiva de análise de conteúdo conduziu à identificação de processos criativos suscetíveis de serem interpretados à luz da Teoria das Inteligências Múltiplas de Gardner (1983, 1999). O autor considera que, além das formas de inteligência classicamente entendidas enquanto tal (verbal-linguística e lógico-matemática), outras formas preferenciais de conhecer e adaptar-se à realidade fazem jus a esta designação: visual-espacial, musical, corporal-cinestésica, intrapessoal, interpessoal, espiritual ou naturalista. Se, por um lado, os caminhos cognitivos tendenciais do indivíduo se associam ao domínio em que se manifesta criativo, por outro, na genialidade, combinam-se com uma outra forma de inteligência, inabitual para esse domínio (Gardner, 1999).
A utilidade desta análise para a futura criação de personagens antevê-se tríplice. Em primeiro lugar, as estratégias espontaneamente usadas por diferentes artistas constituem uma base para a criação de exercícios estimuladores de processos cognitivos variados. Em segundo lugar, quando o objetivo é explorar novas possibilidades, o valor de uma grelha de análise de conteúdo ultrapassa o caráter taxonómico e descritivo, adquirindo potencial heurístico: a conceção categorial é ampliável para novos processos não encontrados nos participantes (por exemplo, se os processos visuais e auditivos induzem uma categoria “sensorial”, podemos antever exercícios de outros órgãos dos sentidos, como olfativos, táteis, etc.). Por fim, na linha de Gardner, a combinação interdisciplinar de dois tipos cognitivos será particularmente frutífera, podendo-se inclusive usar um para desenvolver outro menos proeminente.
Para tal, nesta primeira fase desenvolveu-se um estudo empírico exploratório, no qual se realizaram 20 entrevistas orais a artistas (argumentistas, realizadores, animadores, atores, escritores…), focadas no modo como criam personagens. Uma abordagem indutiva de análise de conteúdo conduziu à identificação de processos criativos suscetíveis de serem interpretados à luz da Teoria das Inteligências Múltiplas de Gardner (1983, 1999). O autor considera que, além das formas de inteligência classicamente entendidas enquanto tal (verbal-linguística e lógico-matemática), outras formas preferenciais de conhecer e adaptar-se à realidade fazem jus a esta designação: visual-espacial, musical, corporal-cinestésica, intrapessoal, interpessoal, espiritual ou naturalista. Se, por um lado, os caminhos cognitivos tendenciais do indivíduo se associam ao domínio em que se manifesta criativo, por outro, na genialidade, combinam-se com uma outra forma de inteligência, inabitual para esse domínio (Gardner, 1999).
A utilidade desta análise para a futura criação de personagens antevê-se tríplice. Em primeiro lugar, as estratégias espontaneamente usadas por diferentes artistas constituem uma base para a criação de exercícios estimuladores de processos cognitivos variados. Em segundo lugar, quando o objetivo é explorar novas possibilidades, o valor de uma grelha de análise de conteúdo ultrapassa o caráter taxonómico e descritivo, adquirindo potencial heurístico: a conceção categorial é ampliável para novos processos não encontrados nos participantes (por exemplo, se os processos visuais e auditivos induzem uma categoria “sensorial”, podemos antever exercícios de outros órgãos dos sentidos, como olfativos, táteis, etc.). Por fim, na linha de Gardner, a combinação interdisciplinar de dois tipos cognitivos será particularmente frutífera, podendo-se inclusive usar um para desenvolver outro menos proeminente.
